Por Maria Lúcia de Moura Iwanow
Professora de literatura, aposentada
4 de março de 2026
Carlos Drummond de Andrade um dia se perguntou: – Futebol se joga no estádio? Futebol se joga na praia, futebol se joga na rua, futebol se joga na alma, respondeu ele mesmo, o poeta.
O povo brasileiro, como outros povos de todos os continentes, ama futebol!
Sediar uma Copa do Mundo é desejo que nem todo o país consegue concretizar, mas no dia 30 de outubro de 2007, sob o governo Lula, vencendo a disputa com países importantes do mundo do futebol, o Brasil foi anunciado pela Fifa como sede da Copa do Mundo FIFA de 2014. Era a realização de um sonho que foi celebrado no País de norte a sul.
O Brasil havia sediado a Copa de 1950 e apenas sessenta e quatro anos depois as novas gerações teriam a oportunidade de viver esse momento privilegiado do esporte.
Começou-se, então, a preparação de uma linda festa para celebrar o esporte e para receber gente de todo o mundo, com suas cores, sua festa, sua cultura, sua alegria. A expectativa era grande e a alegria era geral.
Mas a direita brasileira, que odeia ver o povo feliz, não poderia, de forma alguma, permitir o desfrute dessa forma de felicidade genuína, principalmente sob o governo da presidenta Dilma, governo que a direita tratava de solapar, difamar e de boicotar diuturnamente, por todos os meios.
Por isso, a direita inventou o “Não vai ter Copa!”
Cinicamente, sob o argumento de que o dinheiro investido estaria sendo desviado da saúde, da educação e da segurança do povo, coisas em que a direita que governa o Brasil há séculos nunca investiu, banqueiros, imprensa, empresários, fazendeiros, escolas confessionais trabalharam incansavelmente para fazer o povo odiar a festa que não era apenas sua, mas do mundo todo.
Não fosse bastante a mentira sobre o suposto desvio de dinheiro para fazer Copa, esconderam o posterior uso dos equipamentos construídos para esporte de todas as modalidades, para a educação, para as comunidades!
Esconderam a entrada de divisas, de grana mesma que os milhares de turistas trariam, como de fato trouxeram, durante a Copa e insuflaram um desconhecido e repentino ódio à competição que o povo sempre amou.
A direita azedou a cerimônia de abertura com a maior demonstração de incivilidade cometida contra a mulher que presidia o Brasil, transmitida ao mundo todo, para nossa vergonha; obscureceu a festa linda dos povos, amargurou a alegria e a seleção brasileira, pouco comprometida com o esporte e de maioria direitista, coroou o desastre com os humilhantes 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil.
No meio do fel injetado na alma do povo, colocou-se o Estádio Mané Garrincha, cuja construção, ainda em 18 de julho de 2007, fora anunciada pelo então governador, José Roberto Arruda. O estádio teria, aproximadamente, 100.000 lugares, o que o tornaria o maior das Américas e um dos maiores do mundo.
Como o governador Agnelo Queiroz, do PT, continuou sua construção, a direita, a mesma que havia aplaudido a decisão de construir o estádio no governo Arruda – nada mais normal de que um grande estádio na capital do “País do Futebol” – sem o menor pudor, fingiu mudar de opinião e o que seria “O Maior Estádio das Américas” começou a ser chamado de “Elefante Branco”, antes mesmo de existir.
Em vez de ser visto como potencial econômico, instrumento fundamental para o desporto da capital e sede de grandes eventos, como de fato se tornou, carimbaram sua construção com a marca da corrupção e assim foi tratada a obra, sem que houvesse uma prova sequer de alguma irregularidade.
E o governador Agnelo, desde então, vem pagando com sua saúde, com sua história de vida, com a dor, com o patrimônio de sua família e com a humilhação pública o preço da difamação, da acusação sem prova, da condenação na imprensa, antes de qualquer julgamento em qualquer tribunal.
Hoje, depois de tanto tempo passado, depois de tantos eventos bem-sucedidos no Mané Garrincha, como o jogo entre os gloriosos Flamengo e Corinthians, na final da Supercopa do Brasil, com um público pagante de mais de 70 mil pessoas, não podemos esquecer o que fizeram a Agnelo.
Não podemos esquecer seu sofrimento, não podemos ignorar a má vontade geral, à direita e à esquerda, em ouvir a versão do governador que concluiu a obra do Mané; não podemos fingir que não vemos como a imprensa vem ignorando e até escondendo sua absolvição em 29 processos, por inconsistentes, plenos de acusações infundadas, sem provas, mentirosos mesmo. Assim, nem mesmo a Justiça que temos, que conhecemos bem e sabemos a quem serve, pôde condená-lo.
Não podemos esquecer aquilo que levou um governador comprometido com o bem-estar da população do DF à derrota nas eleições.
Em 1º de fevereiro de 2026, o Mané Garrincha, que tão justamente homenageia um gênio do futebol, passou no teste da Democracia Corinthiana do Doutor Sócrates e os Gaviões da Fiel fizeram ecoar sua voz, sua bravura e seu amor ao futebol no Planalto Central! Ninguém pode fingir que não viu, porque isso foi muito bonito de ser ver!
E ninguém pode fingir que o Mané Garrincha não lembra a saga de Agnelo Queiroz para construí-lo ou o preço que ele pagou por isso.
A ninguém pode passar despercebida a consequência nefasta de sua condenação injusta: depois do seu governo, só perdas e, agora, Ibaneis/Celina: o pior governo que já passou pelo DF.
Se apenas com um pau se faz uma canoa, uma injustiça se faz com má intenção, com mentiras muitas vezes repetidas e com uma imprensa canalha! Faz-se também com o silêncio conivente com a injustiça!
Então, não é tarde para dizer:
– “Agnelo Queiroz, mesmo que não tenhamos sido nós os seus algozes, aceite nossas desculpas e toda a nossa solidariedade!”